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Lambretta: mais uma paixão dividida por brasileiros e italianos

Lambretta: mais uma paixão dividida por brasileiros e italianos

Desde a Imigração Italiana, se tornou comum ver brasileiros e italianos compartilhando as mesmas paixões. Ambos amam café, não abrem mão de uma pizza deliciosa e torcem por seus times de futebol com muito entusiasmo. E no mundo a motor, a paixão é a mesma.

Entre vários elementos italianos que os brasileiros também adotaram está a Lambretta, uma moto que nasceu em meio a uma situação muito específica na Itália mas que, em outro contexto, também foi adorado pelos brasileiros.

Lambretta: do fim da guerra para o começo de um legado

Lambretta

A Lambretta nos leva de volta aos dias de Segunda Guerra Mundial, onde a Itália sofreu muito com o conflito. Com o fim da guerra, a Itália tentava se reconstruir, tanto em suas cidades, mas também como nação, se tornando uma república. Por isso, neste contexto, Ferdinando Innocenti, industrial, colocou seus esforços na criação de um veículo barato e simples, que resolveria o problema de transporte no país.

Assim, em 1947, a Itália viu a primeira Lambretta. Tratava-se de uma pequena moto, de rodas pequenas e um motor escondido, que permitia ao piloto e um acompanhante viajarem sentados. Pelas necessidades da época, a moto caiu nas graças dos italianos, se tornando rapidamente em um símbolo do país, nos anos 50 (e até hoje).

Tal sucesso atravessaria o oceano e chegaria ao Brasil, em 1955. A Lambretta iniciaria, assim, a produção de seus modelos também para os brasileiros. Em 1958, com a Lambretta 150LD, já eram vendidas mais de 50 mil motos da empresa no Brasil. Isso em uma época na qual o financiamento de veículos e os consórcios, meios facilitadores de compra, ainda não existiam.

As motos tinham um motor de 150 cm3, com apenas 6 cavalos de potência e câmbio de três marchas. As marchas trocavam-se puxando a embreagem e torcendo o conjunto, para cima ou para baixo. As pequenas rodas tinham 8 polegadas de diâmetro e não eram as melhores no equilíbrio, apesar de que a velocidade máxima, de 75 km/h, ajudava no desempenho seguro dentro da cidade.

Valores que mantém fãs até hoje

Em 1960, chegou a Lambretta LI, que possuía as cores da nossa bandeira, verde e amarelo. Neste modelo, as rodas aumentaram para 10 polegadas de diâmetro, que melhorou muito na estabilidade. A moto ainda ganharia mais uma marcha, e uma nova transmissão. Contou, desta vez, com 6,5 cavalos que rendiam 80 km/h.

Mas em 1964 a Lambretta, já estabelecida no Brasil, passou a se chamar Cia. Industrial Pasco Lambretta, lançando uma moto de 8,6 cavalos, que garantia 103 km/h de velocidade máxima. Em 1970, no entanto, a concorrência já havia aumentado, especialmente pelas motos japonesas. Assim, em 1979, o Lambretta Tork, foi o último modelo a ser lançado no país.

A simplicidade, a praticidade e a nostalgia fazem com que a Lambretta continue sendo querida por brasileiros e italianos. Na Itália, há o Lambretta Club Italia, com mais de três mil membros, que celebram a motoneta. No Brasil a situação não é diferente, com diversas motos sendo restauradas e negociadas entre entusiastas e colecionadores.

E o seu legado é tão grande, que até hoje, marcas diversas lançam motos modernas, mas baseadas nos mesmos princípios das antigas Lambrettas.