preloader
 Conheça a cafeteira Moka, mais uma colaboração italiana para o mundo

Conheça a cafeteira Moka, mais uma colaboração italiana para o mundo

Quem conhece a Itália sabe: os italianos não bebem café, eles o apreciam. E, mesmo em meio a um mundo agitado e cheio de compromissos, os italianos seguem parando tudo, colocando com calma o pó de café em uma moka, aguardando ficar pronto para tomar seu café quentinho na maior paz.

A cafeteira moka é mais uma colaboração italiana para o mundo. Feita por um povo que é apaixonado por café, o produto que vem dos anos 30 segue à venda até hoje, nos mais variados formatos e cores, e segue fazendo muito bem o seu papel: produzir um café delicioso.

O “gadget” italiano para o café

Os italianos já eram, no século XIX, quando o país ainda era bem jovem, grandes consumidores de café. O que levou a diversas invenções, que tinham como objetivo principal garantir o melhor consumo possível da bebida. Há várias formas de se “passar o café”, mas uma que envolveria colocar pressão no pó de café, garantindo, para aqueles tempos, uma bebida forte e rápida foi a que mais chamou atenção.

A invenção de Angelo Moriondo foi uma solução, para a época, de se fazer café “instantâneo”. Foi patenteada em 1884, e fermentava a granel, ao invés de porções individuais. Angelo, no entanto, nunca fabricou o dispositivo. Foi apenas em 1901 que Luigi Bezerra, ao trazer melhorias no dispositivo original, patenteou o processo e expôs na Feira Internacional de Milão, no ano de 1906.

Seria, assim, o início da busca por dispositivos que sempre melhorassem e otimizassem a forma de se fazer café, sem perder o sabor da bebida.

A criação da Moka

Enquanto isso, Alfonso Bialetti, de Montebuglio, era um jovem que, uma vez morando na França, aprendeu a trabalhar com fundição de alumínio. Voltando para a Itália em 1918, abriu uma fundição em Crusinallo, onde pelos próximos 10 anos trabalharia com produtos baseados no alumínio.

Enquanto isso, na Itália já existia a napolitana, um dispositivo de metal com três partes, para o preparo do café: um espaço para água, um disco para o café e um terceiro para o café coado. A água era aquecida em baixo, e, depois de quente, virava-se o dispositivo de cabeça para baixo, para que o café fosse “passado” e servido.

Bialetti, em meio a este contexto, observava mulheres lavando roupa em uma caldeira fechada com um pequeno cano. Este cano puxava a água com sabão e se espalhava na roupa molhada. Sim, este é o “avô” da máquina de lavar.

Mas, além de servir de legado para as máquinas de lavar que temos atualmente, também fez com que Bialetti, ao imaginar este mesmo recurso para o preparo do café, começasse a esboçar ideias, pensando em praticidade e simplicidade. Assim, mexeu em adaptações da La Pavoni, um aparelho de café expresso em moda naqueles dias, mais a napolitana, para que, em 1933, a Bialetti Moka Express fosse enfim patenteada.

Os primeiros dias da Moka

Naqueles dias, Bialetti poderia vender seu produto, mas apenas dentro da Itália. Como eram dias de fascismo no poder, o regime de Mussolini proibia qualquer intercâmbio de ideias e produtos. Raríssimas exceções aconteceram, como o Mickey. Assim, como forma de propagar o nacionalismo, a Moka, em um primeiro momento, era um produto de um italiano, feito para italianos.

Durante este período, a sua construção era artesanal, com cerca de 70 mil peças produzidas por ano. Como resultado da guerra, e a alta dos preços do café e do alumínio, a produção se interrompeu durante os dias de guerra.

O dispositivo tem o funcionamento idêntico até hoje: a parte inferior é preenchida com água, com o filtro de metal como funil recebendo o café em pó ou moído, com a parte superior sendo acoplada e presa, e a cafeteira indo ao fogo. O fogo esquenta a água, com a pressão do vapor empurrando a água para cima, passando pelo café e entregando o café pronto para beber.

Já o seu nome, Moka, vem da cidade de Moca, que fica no Iêmen, perto do Mar Vermelho. Moca foi uma das primeiras e mais importantes regiões de produção de café. É de lá, inclusive, que surgiu o café que conhecemos como “café arábica”.

O legado e a presença diária do Moka na vida do italiano

Após a guerra, em 1946, é a vez do filho de Alfonso, Renato, assumir os negócios e focar exclusivamente na fabricação das Mokas. Até então, a empresa fabricava também potes e frigideiras. O trabalho de divulgação, em uma Itália que agora sim, poderia exportar seus produtos, chegou ao ponto de, em 1955, 65% das cafeterias de todo o mundo fossem da Bialetti.

Em 1958, surgiu o logotipo da empresa, o famoso L’omino con I baffi, o homenzinho de bigode que está de dedo levantado como se estivesse pedindo um expresso. O mascote é caricatura de Renato.

O legado da Moka cresceu tanto, que em 1990, um levantamento aponto que a cafeteria estava presente em mais de 90% dos lares italianos. Seja na Itália, ou nas comunidades italianas no Brasil, Estados Unidos, Austrália e Cuba. Por isso, hoje é um item considerado essencial em qualquer casa italiana, a Moka faz parte da coleção permanente do museu MoMA em Nova York.

Seu design, que é praticamente o mesmo desde sempre, acompanha Renato até em seu descanso. Renato Bialetti faleceu em 2016, e foi sepultado em uma grande réplica de uma Moka da Bialetti, junto ao icônico logotipo.