Banca de Jornais

O legado dos Imigrantes: a participação italiana na venda de jornais no Brasil

Se hoje, ao andar pelas ruas do Brasil, você ainda vê uma banca de jornal, saiba que tal estrutura nasceu graças a um imigrante italiano. A história da imprensa brasileira ganhou um capítulo interessante com a imigração italiana. E foi com eles, que os nossos jornais foram sendo melhor divulgados, até ganhar uma “casinha”, para protegê-los do clima e da chuva.

Uma gazeta, por favor

A Gazeta, o nome de uma emissora de TV, que também edita jornais no Brasil, na verdade, é o nome de uma moeda em Veneza. Como já falamos anteriormente, antes de 1961 não existia a Itália, assim como a conhecemos hoje. As regiões, como Veneza, as Duas Sicílias, ou Milão, tinham seus próprios dialetos, e suas moedas.

E, como já havia imprensa nesta época, o preço de um jornal por lá era de uma gazetta. Com a imigração italiana ao Brasil, logo alguns jovens decidiram viver a vida vendendo jornais, e, por causa de sua herança cultural, acabaram sendo conhecidos como gazeteiros.

Os gazeteiros, então, vendiam seus jornais assim como já estavam acostumados. Andando por todas as cidades, anunciando as manchetes, e fazendo as vendas para todos os interessados. Ganhando alguma comissão pela venda dos mesmos. Era um jeito de ganhar a vida, para quem chegava ao Brasil e não arrumava trabalho no ramo agrícola.

Carmine Labanca e a “sua banca”

No final do Século XIX, chegou um dos muitos italianos que buscavam ganhar a vida no Brasil. Carmine Labanca chegou no Rio de Janeiro, e começou, assim como muitos jovens na época, a vender jornais pelas ruas da então capital do país. Porém, o serviço era desgastante. Era preciso andar muito, carregando o peso dos jornais.

Assim, ele teve uma ideia. Usando caixotes de frutas velhos, começou a expor os jornais. Ao invés de andar, ele anunciava e vendia seus jornais ali mesmo, parado em um ponto fixo. Nascia assim, a primeira banca de jornais do país. E você sabe a razão do nome do ponto de venda ser “banca”? Se você prestou atenção, já sabe que é devido ao nome de seu criador. Labanca, assim, fazia sua história no Brasil.

A ideia pegou. Registros afirmam que a “banca do Labanca” ficou no mesmo ponto por 10 anos, entre 1880 e 1890. Labanca, inclusive, vendeu em seu espaço jornais de momentos importantes da história brasileira, como a proclamação da República. A partir de 1910, os caixotes deram lugar a estruturas de madeira. E foram sendo regularizadas pelos órgãos públicos, ganhando pontos fixos.

E, a partir da década de 50, ganharam a estrutura a qual conhecemos hoje, com formato em metal. Hoje em dia, as bancas perderam muito da sua importância de outros tempos, mas seus donos tem buscado maneiras de atualizar a proposta. Agora as bancas, além de jornais e revistas, também prestam serviços, vendem livros e muito mais. Inclusive, Milão (os italianos novamente) apresentou há alguns anos, a primeira banca digital.

Um interessante legado italiano

Com uma boa ideia e disposição para trabalhar, dois valores firmes dos italianos, Carmine Labanca criou um conceito, tipicamente brasileiro. Seu nome foi emprestado para a estrutura, e muita gente nem sabe disso. Mas o ato de “ir lá no Labanca” comprar jornal mudou, para sempre, a maneira da qual se vendia jornais no Brasil.